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  • Melão-de-são-caetano (Momordica charantia L.), uma planta com potencial para a economia agrária e saúde alternativa



    A medicina alternativa através da utilização das ervas medicinais permanece como uma das formas mais comuns de terapia disponíveis às populações de todo mundo. De acordo com a “World Health Organization”, aproximadamente três quartos da população mundial usam atualmente ervas e outras formas de medicina tradicional para tratar das doenças (Rao, 2004).

    Em países em desenvolvimento 80% da população continua a usar a medicina tradicional na solução dos problemas básicos de saúde. Na década passada, conseqüentemente, várias pesquisas enfocaram na avaliação científica de drogas tradicionais de plantas (Grover, 2004).

    Nos países orientais, situados em regiões tropicais e subtropicais, há muitos recursos herbais que são considerados como alimentos e como auxiliares nos tratamentos de saúde, e acredita-se que os hábitos de consumo destas ervas rendem inúmeros efeitos benéficos à saúde humana (Dubick, 1986).

    Ecologia
    Momordica charantia L. é uma espécie pertencente à família das cucurbitáceas, muitas espécies desta família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium (Di Stasi, 2002). Possui as seguintes sinonímias: Momordica chinensis, M. elegans, M. indica, M. operculata, M. sinensis, Sicyos fauriei.

    É uma espécie vegetal silvestre comumente encontrada em áreas urbanas e rurais, sendo conhecida e utilizada por suas propriedades medicinais (Ribeiro, 2003, Giron et al., 1991; Lans e Brown, 1998). É usada tradicionalmente na medicina caseira em países como Brasil, China, Colômbia, Cuba, Gana, Haiti, Índia, México, Malásia, Nova Zelândia, Nicarágua, Panamá e Peru (Grover, 2004).

    A planta cresce em áreas tropicais na Ásia, na Região Amazônica, no leste da África e nas Ilhas do Caribe. É cultivada em todo o mundo para o uso como planta medicinal (Ahmed, 1998). Este vegetal é cultivado também no sul de Kyushu, Japão, devido ao clima subtropical (Senanayake, 2004).

    O nome latin Momordica significa “mordida”, referindo-se às bordas da folha que parecem que foram mordidas. É uma planta revolucionária pela sua versatilidade como alimento e em aplicações terapêuticas (Assubaie, 2004).

    A forma de erva daninha pode ter sido trazida junto com sementes de outras culturas e transformaram-se em um problema em plantações por todo o mundo (Robinson e Decker-Walters, 1996). É tolerante a um numero variável de ambientes (Lim, 1998) e pode crescer em climas tropicais e subtropicais (Reyes et al. 1994).

    É uma planta daninha bastante freqüente em pomares, cafezais, sobre cercas e alambrados e em terrenos baldios. Ocorre virtualmente em todas as regiões habitadas do país (Lorenzi, 2000). As práticas culturais são similares ao do pepino (Reyes et al. 1994).

    O fruto imaturo do melão amargo é valorizado pelo seu sabor amargo, é geralmente consumido fresco (inteiro ou em fatias), mas pode também ser feito como pickles, conservado em salmoura. São embalados em caixas com 5 quilogramas do produto e vendidos em Melbourne e em Sydney como uma planta medicinal (Vinning 1995).

    Botânica
    M. charantia é uma planta trepadeira, originária do leste indiano e sul da China, é uma planta monóica com flores amarelas isoladas nas axilas das folhas (Robinson e Decker–Walters 1997). Todas as partes da planta, incluindo o fruto, possuem sabor amargo. O fruto é oblongo e assemelha-se a um pepino pequeno, o fruto novo é verde que muda para uma tonalidade alaranjada quando maduro (Grover, 2004).
    As folhas são membranosas, lisas, pilosas e lobadas com cinco a sete lóbulos (comprimento aproximadamente 3-6 cm); gavinhas simples, longa, delicada, pubescente. As flores amarelas saem das axilas da folha, tem cinco pétalas, são amarelas arredondadas ou recortadas nas pontas e até 1 cm de comprimento, as sépalas são ovais com cerca de 4,5 milímetros de comprimento, possuem pequenos pistilos alaranjados brilhantes e estame no centro (diâmetro aproximado 1,5 cm), são monóicas, as masculinas são solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, glabros ou ligeiramente pubescentes; corola irregular, amarelo limão; flores fêmeas nos pedúnculos delgados longos de 5-10 cm, brácteas geralmente perto da base. Os frutos abrem como se estivessem estourando, mostrando a casca alaranjada brilhante e a polpa alaranjada contem os arilos vermelhos brilhantes que envolvem as sementes. A haste do fruto de comprimento aproximadamente 2,5 cm é pilosa, muito pilosa na extremidade terminal. As sementes são achatadas, oblongas, bidentadas na base e no ápice, coloração creme ou acinzentada (Correa Junior et al 1994, Di Stasi, 2002).

    Existem três grupos ou tipos horticulturais de frutos, o pequeno, 10-20 cm, 0,1-0,3 quilogramas de peso, verde geralmente escuro, o fruto é muito amargo; tipo longo o mais comercializado na China, 30-60 cm, 0,2-0,6 quilogramas de peso, cor verde com protuberâncias de tamanho médio, ligeiramente amargo; e fruto do tipo triangular, 9-12 cm de comprimento, 0,3-0,6 quilogramas de peso, verde escuro com tubérculos proeminentes, moderado a fortemente amargo (Yang e Walters, 1992).

    Cultivo
    Esta planta se desenvolve bem a uma temperatura mínima de 18° C (Larkcom, 1991), atingindo um estágio ótimo entre 24-27° C (Desai e Musmade, 1998). Tem o crescimento máximo em temperaturas dia/noite 28-35/20-25° C e redução severa no crescimento em temperaturas da noite 16° C, requer mais calor do que as outras espécies de cucurbitáceas para atingir o máximo rendimento (Larkcom 1991), mas é também mais resistente às temperaturas baixas. (Desai e Musmade 1998). O pH ótimo é entre 6,0-6,7 (Desai e Musmade, 1998). Se for feita calagem, deve ser feito bem antes da aplicação inicial do fertilizante. Cresce melhor em um solo arenoso drenado, rico em matéria orgânica, mas tolera vários tipos de solos (Cantwell et al. 1996, Reyes et al. 1994). As mudas podem ser produzidas em sementeiras no solo ou suspensas (Lim 1998). O esterco de galinha pode ser usado como fertilizante, enterrando-se e molhado 2-4 semanas antes de transplantar ou de semear, as sementes perdem rapidamente a viabilidade, assim a pré-germinação é recomendada, com exceção da semente muito fresca. Estas devem ser embebidas 24 horas e envoltas em toalha de papel úmido, e em seguida deve ser mantida em um saco plástico 26-29°C para a germinação de um a dois dias (Larkcom, 1991). A germinação cessa fora das temperaturas entre 10-50°C (Singh, 1991). A porcentagem de germinação pode ser aumentada embebendo as sementes em 1% KNO3 (Devi e Selvaraj, 1994). As sementes devem ser germinadas em sementeiras ou diretamente no campo se a temperatura estiver alta (Larkcom, 1991). As plântulas emergem 5-7 dias após a semeadura (Reyes et al., 1994). Requerem a proteção do sol do vento, e do frio excessivo (Desai e Musmade, 1998). O peso da semente varia entre 6.000 (Desai e Musmade, 1998) e 17.000 sementes/kg (Reyes et al., 1994). A densidade de plantio deve ser 50cm entre plantas e 2-3m entre fileiras. A melhor densidade de plantas varia com a cultivar, de 6.500 a 11.000 plantas/ha (Reyes et al., 1994) ou de 20.000 plantas/ha (Huyskens et al., 1992).

    Se o solo for altamente fértil e preparado com bastante matéria orgânica, uma nutrição adicional não tem necessidade (Larkcom 1991). Se não adicione Nitrofoska até que a planta alcance a altura da treliça, então pode ser aplicado nitrato de potássio até que floresça. A aplicação do nitrogênio deve ser reduzido durante o aparecimento dos frutos. A adição de nitrato de cálcio melhora a vida útil, possivelmente solidificando a epiderme e reduzindo a produção do etileno, entretanto, o nitrato é conhecido também por suprimir o florescimento em muitas espécies. As aplicações de N:P:K ao redor 100:50:50 kg/ha são recomendadas por Robinson e Decker-Walters (1996).

    Fitoquímica
    O fruto e as sementes do melão são amargos, e são usadas tradicionalmente para o tratamento da diabete nos países asiáticos do sudeste (Karunanayake et al., 1984; Platel e Srinivasan, 1997).

    Os frutos possuem sementes vermelhas brilhantes devido a um índice elevado de licopeno que pode ser usado como corante natural em alimentos. Por muito tempo foi utilizado na medicina tradicional para muitos tratamentos. Recentemente, muitos fitoquímicos foram identificados e demonstrados clinicamente, apresentando várias atividades medicinais tais como antibiótico, antimutagênico, antioxidante, antileucêmico, antiviral, anti-diabético, antitumor, aperitivo, afrodisíaco, adstringente, carminativo, citotoxico, depurativo, hipotensivo, hipoglicêmico, imuno-modulador, inseticida, lactagogo, laxativo, purgativo, refrigerante, estomáquico, tônico, vermífugo (Assubaie, 2004).

    Os extratos dos vários componentes desta planta foram descritos por possuir a atividade hipoglicêmica, a atividade de síntese de proteínas, anti-tumoral, e a propriedade abortifaciente (Ahmed, 1998). Diversos constituintes incluindo a charantina (mistura de glucosideos de esterol), a vicina (nucleosideo da pirimidina) e a p-p-insulina (polipeptideo) são relatados como os ingredientes ativos com estes fins (Gurbuz, 2000).

    É usado topicamente para o tratamento de feridas, e internamente, assim como externamente para a eliminação de parasitas. É usado também como o emenagogo, antiviral para o sarampo e a hepatite. Na medicina popular turca, os frutos maduros são usados externamente para cicatrização rápida das feridas e internamente para o tratamento de ulceras pépticas (Grover, 2004).

    O uso empírico como erva medicinal para o tratamento da diabete foi confirmada experimentalmente por observações recentes do fruto ou frações extraídas com água deste vegetal, que exibe uma potente atividade hipoglicêmica em normoglicêmicos e em ratos com diabete induzida pela streptozotocina, assim como em humanos com tipo II da diabete mellitus (Leatherdale et al., 1981; Bailey et al., 1985; Welihinda et al., 1986; Ali et al., 1993). O mecanismo desta ação permanece ainda incerto.

    M. charantia é um vegetal importante em diversos países, o fruta é rica em vitaminas, contem principalmente A, B1, B2 e a vitamina-C, que pode ter em torno de 100mg em 100 g do fruto. O fruto contem também diversos minerais (Ca 137,69 mg/100 g fruto fresco, Mg 119,92 mg/100g). Parece ser uma fonte boa de ferro, mas o índice de ferro é somente devido ao elevado índice de ferro dos solos tropicais. Os níveis de minerais traços são baixos (Cu 3.54 mg/100g, Fe 5.97 mg/100g, Zn 3.53 mg/100g). O fruto contem 93,2 % de água. Os ácidos graxos são 0,76 % da matéria seca com o a-eleostearico como principal o ácido graxo na M. charantia. A análise de aminoácidos mostrou a presença de aminoácidos essenciais na proporção adequada exceto a lisina, a cisteina e a metionina (Yuwai et al., 1991).

    M. charantia tem como constituintes químicos, triterpenos, proteínas, esteróides, alcalóides, charantina, charina, criptoxantina, cucurbitinas, cucurbitacinas, cucurbitanos, cicloartenóis, diosgenina, ácido elaeosteárico, eritrodiol, ácido galacturônico, ácido gentísico, goiaglicosídeos, goiasaponinas, inibidores guanilato ciclase, gipsogenina, hidroxitriptaminas, karounidiols, lanosterol, ácido láurico, ácido linoléico, ácido linolênico, momorcharasideos, momorcharinas, momordenol, momordicilina, momordicinas, momordicinina, momordicosideos, momordina, momordolo, multiflorenol, ácido miristico, nerolidol, ácido oleanólico, ácido oléico, ácido oxálico, pentadecanos, peptídeos, ácido petroselínico, polipeptídeos, proteínas, proteína ribosoma-inativador, ácido rosmarínico, rubixantina, espinasterol, glicosídeo esteroidal, estigmasta-diols, estigmasterol, taraxerol, trehalose, inibidor tripsina, uracil, vacina, v-insulina, verbascosídeo, zeatina, zeatina ribosideo, zeaxantina, zeinoxantina (Sener, 1998; Miura, 2001 e Ismail, 1999).

    Toxicologia
    Estudos clínicos “in vivo” tem demonstrado existir uma relativa baixa toxicidade de todas as partes do melão-de-são-caetano quando ingeridos oralmente. Entretanto, toxicidade e morte de animais têm sido demonstradas em laboratórios quando os extratos são injetados via intravenosa, como o fruto e a semente demonstrando grande toxicidade comparado com as folhas e as partes aéreas da planta (Sharma, 1960).

    Outros estudos têm mostrado que extratos etanólicos e aquosos do fruto e folhas, ingeridos oralmente, são seguras durante a gravidez (Dhawan, 1980 e Prakash, 1976). As raízes foram documentadas, com efeito, de estimulação uterina em animais (Shum et al, 1984). Os frutos e folhas têm demonstrado efeito antifertilidade in vivo em animais fêmeas (Stepka et al, 1974 e Koentjoro-Soehadi, 1982) e em machos afeta negativamente a produção de esperma (Jamwa et al, 1962).

    Referências
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    Metabolismo secundário em plantas medicinais



    Os produtos naturais são moléculas pequenas encontradas em vários tipos de organismos tais como bactérias, fungos, plantas e outros. São utilizados no tratamento de problemas de saúde para os humanos, incluindo doenças infecciosas, neurológicas, cardiovasculares, metabólicas e oncológicas (Zhou et al. 2008).

    As plantas produzem uma grande variedade de compostos químicos, os quais são divididos em dois grupos, metabólitos primários e secundários. O metabolismo primário é considerado como uma serie de processos envolvidos na manutenção fundamental da sobrevivência e do desenvolvimento, enquanto o metabolismo secundário consiste num sistema com importante função para a sobrevivência e competição no ambiente (Dixon 2001).

    Os metabólitos secundários nas plantas são compostos químicos não necessários para a sobrevivência imediata da célula, mas serve como uma vantagem evolucionaria para a sua sobrevivência e reprodução. Alguns metabólitos secundários só estão presentes em determinadas espécies e cumprem uma função ecológica específica, como por exemplo, atrair os insetos para transferir-lhes o pólen ou a animais para que estes possam consumir seus frutos e assim poder disseminar suas sementes. Também podem atuar como pesticidas naturais de defesa contra herbívoros ou microorganismos patogênicos, além de agentes alelopáticos (responsáveis por favorecer a competição com outras plantas), também podem sintetizar metabólitos secundários em resposta a dano em algum tecido da planta, assim como proteção para a luz UV e outros agentes físicos agressivos, incluindo sinais para a comunicação entre plantas com microorganismos simbiontes.

    Além disso, os produtos secundários das plantas compreendem uma riqueza de compostos interessantes para o ser humano, pois tem grande aplicabilidade por seus efeitos terapêuticos. Os metabólitos secundários tem a característica de se acumularem em órgãos específicos ou em certas fases do desenvolvimento, eles representam menos de um por cento do total da massa seca.

    Alguns compostos são abundantes em varias espécies de plantas, tais como muitos compostos fenólicos. Entretanto os alcalóides são produzidos por algumas famílias ou por determinadas espécies. Aproximadamente 100.000 metabólitos já são conhecidos, com cerca de 4.000 novos que estão sendo descobertos a cada ano (Verpoorte et al. 2000). Existe grande quantidade de tipos de metabólitos secundários em plantas e podem ser classificados segundo a presença ou não de nitrogênio na sua composição.

    Os três grupos de metabólitos secundários mais importantes em plantas são os terpenos (um grupo dos lipídios), compostos fenólicos (derivados dos carboidratos) e os alcalóides (derivados dos aminoácidos, principais constituintes das proteínas). Os terpenos derivam do isopentenil difosfato (IPP) e se conhecem 25.000 estruturas. Os alcalóides, em torno de 12.000, contem um ou mais átomos de nitrogênio e derivam principalmente dos aminoácidos. Aproximadamente 8.000 compostos fenólicos são provenientes das vias biossintéticas do shikimato ou do malato/acetato. Muitos são importantes como toxinas ou inibidores de alimentação e assim podem contribuir à sobrevivência da planta.

    Existem metabólitos secundários que tem estruturas ou origem similar aos primários, exercendo funções semelhantes, como por exemplo, o ácido caurenóico e o ácido abiético, ambos formados por uma seqüência de reações enzimáticas semelhantes. O ácido caurenóico é considerado um metabólico primário porque é um intermediário essencial na síntese de giberelinas (hormônio), o ácido abiético é um componente da resina de alguns grupos de Fabaceae e Pinaceae, sendo por tanto um metabólito secundário. Outro exemplo é a prolina, considerada como um metabólito primário, análogo ao ácido pipecólico, um alcalóide. A lignina é um polímero estrutural essencial da madeira e é o segundo composto mais abundante nas plantas depois da celulose, considerado mais um metabólito secundário que primário, pois para as plantas não vasculares, a lignina não é um composto essencial na sua sobrevivência.

    Referências
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    VERPOORTE, R. 2000. Molecular cloning and analysis of stritosidine β-D.Glucosidade, an enzyme in terpenoid indole alkaloid biosynthesis in Catharantus roseus. J. Biol. Chem., 275: 3051-3056.
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    Cerefólio, os poderes medicinais de uma erva usada como tempero na Europa.



    Anthriscus cerefolium (L.) Hoffm. Família Apiaceae.

    Sinonímias: Anthriscus longirostris Bertol., Cerefolium anthriscus (L.) Beck, Cerefolium cerefolium (L.) Sch. & Thell., Cerefolium cerefolium Britt., Chaerefolium cerefolium (L.) Sch. et Thell., Chaerophyllum sativum Lam., Scandix cerefolium L.

    Esta erva é nativa do Oriente Médio, provavelmente sul da Rússia e do Cáucaso, e possivelmente foi introduzida na Europa pelos romanos. Tornou-se uma das ervas mais utilizadas na culinária francesa, na qual é considerada indispensável. O cerefólio embora tenha sido utilizado como uma droga é empregada principalmente como aromática para fins culinários (Fejes et al. 2000a).

    Constituintes
    Metilcavicol, 1-alil-2, 4- dimetoxibenzeno (Fejes et al. 2000).

    Atividade farmacológica
    O extrato possui atividade antioxidante e anti-lipoperoxidante, é utilizada popularmente para problemas na circulação (Fejes et al. 2000a, Fejes et al. 2000b). A raiz é usada como tônica no Japão e na China (Mitsugi et al. 1982). Possui atividade depurativa, diurética e hipotensiva (Flamini et al, 1997). Flavonóides e lignanas da raiz mostraram forte atividade contra os radicais livres, enquanto que o óleo obtido a partir da planta foi menos eficaz. A identificação dos constituintes dos extratos indicam que apiin é o principal flavonóide, deoxipodofilotoxina a principal lignana, e metilcavicol o componente predominante do óleo essencial (Fejes et al., 2003). O extrato é recomendado para melhorar a memória (Adams et al., 2007).

    Referências
    ADAMS, M., GMUNDER, F., HAMBURGER, M. 2007. Plants traditionally used in age related brain disorders—A survey of ethnobotanical literature. Journal of Ethnopharmacology 113 (2007) 363–381.
    FEJES, S., LEMBERKOVICS, E., BALÁZS, A., APÁTI, P., KRISTÓ, T.S., SZÖKE, E., K&EACUTERY, A. AND BLÁZOVICS, A. 2003. Antioxidant activity of different compounds from Anthriscus cerefolium l. (hoffm.). Acta Hort. (ISHS) 597:191-198.
    FLAMINI, G., BILIA, A. R., BERSCHI, M. C., MARTINOTTI, E., MORELLI, I. 1993. Anthriscus cerefolium (L.) Hoffm.: Phytochemical and Pharmacological Study. Pharmacological Research, 27(1).
    MITSUGI, K., KIMIYE, B., YOUKO, M., TADASHI, K., MICHIHIKO, S., TSUNEMATSU, T. 1982. Components of the root of Anthriscus syl6estris Hoffm. insecticidal activity. Yakagakuzasshi 30, 2885–2888.
    FEJES, S., BLÁZOVICS, A., LUGASI, A., LEMBERKOVICS, É., PETRI, G., KÉRY, Á. 2000a. In vitro antioxidant activity of Anthriscus cerefolium L. (Hoffm.) extracts. Journal of Ethnopharmacology 69 () 259–265).
    FEJES, S., BLAZOVICS, A., LEMBERKOVICS, E., PETRI, G., SZO ¨KE, E., & KERY, A. (2000b). Free radical scavenging and membrane protective effects of methanol extracts from Anthriscus cerefolium L. (Hoffm.) and Petroselinum crispum (Mill.) Nym. ex A.W. Hill. Phytotherapy Research, 14, 362–365.

    Juazeiro, árvore da caatinga com potencial medicinal



    Zizyphus joazeiro Mart.
    Sinonímias: Zizyphus joazeiro, Zizyphus guaranitica, Zizyphus gardneri
    Nomes comuns: Joazeiro, juazeiro, raspa-de-juá, joá, juá, injuá, laranjinha-de-vaqueiro.

    O juazeiro é uma planta da família Rhamnaceae, de habito arbóreo, espontânea e é típica da região da caatinga. Pode atingir de 5-10 metros de altura e a largura de seu tronco pode chegar a 30-50 cm de diâmetro. As folhas possuem uma camada de cera, as flores são pequenas amareladas, os frutos, comestíveis, são redondos, pequenos e amarelos. É uma planta resistente à seca, possui crescimento lento e pode viver até 100 anos. Esta planta é utilizada popularmente para limpeza dos dentes, gengivite, dores causadas pela extração de dente, queda de cabelo, asma, gripe, pneumonia, tuberculose, bronquite, constipação, inflamação de garganta, indigestão, problemas do estomago, escabiose, dermatite seborréica, problemas de pele, dores de cabeça, como cicatrizante de feridas, todos os tipos de febres e expectorante (Albuquerque et al., 2007; Schühly et al., 2000). As suas propriedades e ações são: analgésica, antiinflamatória, antibacteriana, febrífuga e cicatrizante. Dentre os seus principais constituintes destacam-se os fenóis, taninos, alcalóides, triterpenos, quinonas, amfibina D e jujubogenina (Schühly et al., 1999). As partes utilizadas desta planta são o caule, a casca, folha, fruto e raiz. O fruto é rico em vitamina C e o seu suco é utilizado para controlar a acne e amaciar a pele do rosto. Esta planta é rica em ácido betulínico que possui atividade antibiótica, outros estudos demonstraram que essa substancia tem ação anti cancerígena combatendo tumores, carcinomas e melanonas (Pisha et al., 1995; Kim et al., 1998).

    Referências:
    ALBUQUERQUE, U. P.; MEDEIROS, P. M.; ALMEIDA, A. L. S.; MONTEIRO, J. M.; NETO, E. M. F. L.; MELO, J. G.; SANTOS, J. P. 2007. Medicinal plants of the caatinga (semi-arid) vegetation of NE Brazil: A quantitative approach. Journal of Ethnopharmacology. 114: 325–354
    KIM, D. S., et al. 1998. Synthesis of betulinic acid derivatives with activity against human melanoma. Bioorg. Med. Chem. Lett. 8: 1707-1712.
    PISHA, E., et al. 1995. Discovery of betulinic acid as a selective inhibitor of human melanoma that functions by induction of apoptosis. Nat. Med. 1: 1046-1051.
    SCHÜHLY, W., et al. 1999. New triterpenoids with antibacterial activity from Zizyphus joazeiro. Planta Med. 65: 740-743.
    SCHÜHLY, W., HEILMANN, J., ÇALIS, I., STICHER, O. 2000. Novel triterpene saponins from Zizyphus joazeiro. Helvetica Chimica Acta. 83: 1509–1516.

    O poder da cebola na prevenção do câncer


    As cebolas são ricas em uma variedade de sulfetos que fornecem proteção contra o crescimento de tumores. Estudos na Grécia têm demonstrado que o consumo elevado de cebola e alho atua como protetores contra o câncer de estômago.

    As cebolas são uma boa fonte de fibras alimentares, manganês, molibdênio, vitamina B6, ácido fólico, potássio, fósforo e cobre. É uma fonte muito rica de fruto-oligossacarídeos, são caracterizadas por seu conteúdo rico em tiosulfinatos, sulfetos, sulfóxidos e outros compostos odoríferos de enxofre. Os sulfóxidos de cisteína são os principais responsáveis pelo sabor da cebola e pela irritação que causa nos olhos que induzem ao lacrimejamento. Os tiosulfinatos apresentam propriedades antimicrobianas.

    É eficaz contra muitas bactérias, incluindo Bacillus subtilis, Salmonella e E. coli. As cebolas contêm sulfureto de alilo propilo, além disso, as cebolas são muito ricas em cromo, um mineral que ajuda as células a responderem à insulina, além de vitamina C, numerosos flavonóides e mais notavelmente, quercetina.

    Cebolas podem ser usadas para tratar constipações, tosse e asma e para repelir insetos. Na medicina chinesa, têm sido utilizadas para tratar a angina do peito, infecções bacterianas e problemas respiratórios.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica o uso de cebola para o tratamento da falta de apetite e para prevenir a aterosclerose. Além disso, os extratos de cebola são reconhecidos pela OMS como ajuda no tratamento de tosses e resfriados, asma e bronquite. Também ajudam na diminuição de espasmos brônquicos. O extrato de cebola é usado para diminuir a alergia induzida pela constrição brônquica em pacientes asmáticos.

    Os oligômeros presentes estimulam o crescimento de bifidobactérias saudáveis e suprimem o crescimento de bactérias potencialmente nocivas ao cólon, podendo reduzir o risco de tumores no cólon. Evidências experimentais e clínicas sugerem que o dissulfureto de alilo propilo é responsável pelo efeito de reduzir os níveis de diabetes.

    O consumo regular de cebolas reduz os níveis elevados de colesterol e pressão arterial alta, o que ajuda a prevenir a aterosclerose e doenças cardíacas em diabéticos e reduz o risco de derrame. Mulheres cujas dietas, são ricas em cebolas tiveram uma redução de 40% no risco de câncer de ovário. Cebolas também ajudam a manter os ossos saudáveis. Podem ser especialmente benéfica para mulheres que estão em maior risco de ter a osteoporose quando estão na menopausa.

    O que todo usuário de plantas medicinais deveria saber para sua correta utilização.




    O uso das plantas medicinais na cura de doenças e melhoria da qualidade de vida tem sido utilizado desde o inicio da humanidade, hoje muitas das receitas que eram apenas do conhecimento popular tem sua eficácia comprovada pela ciência. Na Índia e na China o uso das plantas já fazem parte da medicina por pelo menos 2000 anos. No Brasil ainda não se tem um conhecimento razoável sobre a forma de utilização dessas plantas, a maioria dos usuários utilizam as ervas de forma incorreta ou ineficaz, o modismo ainda é uma forma de se conhecer as plantas de uso medicinal, entretanto passageira. As matérias em revistas não científicas tornam o uso das plantas medicinais de certa forma até perigoso, entretanto as reportagens na televisão tem seguido um formato que deveria ser utilizado pelas revistas, como a consulta a especialistas da área.

    O local e o estado onde a maioria das pessoas adquirem as ervas é um outro problema que pode até se tornar um risco a saúde, muitas ervas são vendidas na rua ou expostas ao ar livre em feiras e mercados populares, quando o correto seria essas plantas serem vendidas embaladas e beneficiadas de forma adequada. Tive a oportunidade de presenciar plantas secas ao sol embaladas e serem vendidas nas ruas das cidades. Essas plantas não possuem princípio ativo algum, podendo ainda sofrerem contaminação por microorganismos.

    Um outro problema da falta de conhecimento sobre a utilização das ervas medicinais esta na forma e dosagem de uso, pois dependendo da forma a planta pode ser eficaz ou não, assim como a dosagem se for baixa pode não ter o efeito procurado se for alta pode causar intoxicações e efeitos adversos. Conheci um caso em que a pessoa usou ervas compradas em raizeiro para emagrecer, tomou um litro de garrafada com os três tipos de ervas em apenas um dia, ou seja tomou em torno de 10 vezes a dosagem recomendada, a conseqüência foi provavelmente uma alteração hormonal que causou efeito contrário e o efeito foi um aumento de peso, mais que o triplo do que tinha antes em pouco tempo.

    Ainda é muito comum seguir receitas indicadas por parentes ou vizinhos sem conhecimento das ervas, mas é outro grande risco que pode até agravar a saúde como foi o caso da utilização do suco de carambola para pacientes crônicos renais, indicada provavelmente pela mídia, esse suco piora a situação desses pacientes pois a carambola é rica em potássio que não é filtrado pelo rim e se torna tóxico para o organismo.

    O conhecimento através dos nomes populares das plantas pode gerar duvidas e enganos na sua utilização, como o caso da espinheira-santa, existem várias espécies sendo comercializadas com este nome, algumas delas sem o efeito comprovado para a Maytenus ilicifolia.

    A educação para as Plantas Medicinais deve ser incentivada na sociedade, já que é e sempre vai ser utilizada pelas pessoas na busca da cura das doenças e melhoria da qualidade de vida.